28 novembro 2016

11

Pra ler no busão: A longa e sombria hora do chá da alma

TítuloA longa e sombria hora do chá da alma
Autor: Douglas Adams
Páginas224
Ano2016 
Edição lida: 1ª edição
EditoraArqueiro
Sinopse"Kate Schechter devia ter prestado atenção aos avisos que o universo tentava lhe dar. No aeroporto de Heathrow, prestes a embarcar para a Noruega, a americana pensa em todos os sinais que lhe diziam para não fazer aquela viagem. Ainda assim, ela não está nem um pouco preparada para a explosão do balcão de check-in, que destrói parte do terminal.
Enquanto isso, no norte de Londres, o detetive Dirk Gently está no fundo do poço: sem dinheiro, vive de bicos como quiromante numa tendinha. Refletindo sobre seu fracasso, ele lembra de repente que, na verdade, tem um cliente e está absurdamente atrasado para o encontro aquela manhã.
Porém, o investigador chega tarde demais. Sentindo-se culpado pela sina do homem, ele resolve mais uma vez fazer uso da interconexão de todas as coisas e vê uma ligação do seu caso com os estranhos eventos no aeroporto.
Abrindo caminho em meio aos elementos mais absurdos, Dirk se depara com uma máquina de refrigerante que aparece nos lugares mais improváveis, uma águia hostil que insiste em atacá-lo, um hospital sinistro para casos exóticos, horóscopos insultuosos e uma calculadora de I Ching."

Douglas Adams, o maior escritor de ficção científica de palhaçada sem saída para jovens tecnólogos e hippies envelhecidos ( "O Guia do Mochileiro das Galáxias"), nos brindou com um mistério cômico tão bom quanto o primeiro livro da série Dirk Gently. A longa e sombria hora do chá da alma é um romance inteligente e engraçado sobre um detetive inglês, uma menina americana de mau humor e um deus nórdico que vende sua alma a um executivo de publicidade.

Dirk Gently (que aparece pela primeira vez em Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, livro sobre dons acadêmicos, aliens e por que Coleridge nunca terminou 'Kubla Khan') dorme em vez de estar num compromisso com um cliente. O cliente de Gentle é encontrado mais tarde naquele dia sentado em um lado de seu salão enquanto sua cabeça cortada gira a 33 rpm no toca discos do outro lado da sala. Enquanto isso, Kate Schechter, uma americana com uma sensibilidade extraordinária aos pequenos aborrecedores da vida, fica presa numa fila atrás de um homem loiro alto e teimoso num check-in no aeroporto quando, de repente, o balcão de entrada e o funcionário de check-in são subitamente consumidos por uma bola de fogo gigante.
A bola de fogo devastadora é finalmente considerada como sendo um ato de Deus - e, na verdade, é mesmo - um ato de um deus loiro alto e teimoso (chamado Thor) preso em um balcão de check-in do aeroporto sem um cartão de crédito. Inconveniência, para Douglas Adams, é uma força poderosa.
Dirk Gently é um detetive interessado na interconectividade das coisas. E, de fato, a visão do mundo de Adams é ligado por causas e consequências que fariam a lógica de Sir Arthur Conan Doyle parecer simplória - tudo isso usando a inconveniência e não deus, destino ou qualquer outro fator comum dos escritores contemporâneos. Sempre houve uma forma de humor que celebra coisas que dão tão errado que às vezes dão certo. O que Adams faz é expandir esse descontentamento cômico para proporções cósmicas. É uma combinação estranha, principalmente para leitores brasileiros que estão acostumados com um humor mais americanizado ou o pastelão nacional. Mas Douglas Adams cria um universo de pequenos eventos aparentemente sem ligação que se somam a um caos astronômico.
Seu mundo é tão implacavelmente trivial, perverso e irritante que até o sol se ofende!
Os deuses, também, são pegos nessa grande rede de pequenas frustrações. Eles são introduzidos no romance sem barulho ou manobras narrativas incríveis, mas como um turista Inglês gordo incapaz de encontrar chá em Palermo.
Somente Odin, pai dos deuses, parece confortável no mundo moderno, um velho de um só olho confortavelmente estendido em uma casa de repouso exclusiva e luxuosa, onde ele dorme sem preocupação.
Odin encontrou seu Valhala na terra e é uma terra não de heróis, mas de lençóis limpos, imperturbáveis (mudados diariamente) e falta de consciência. O sono é a única atividade reverenciada em A longa e sombria hora do chá da alma. Para Adams, estar vivo (e acordado) é ficar irritado. Kate, refletindo sobre Thor e o desagradável funcionário de check-in, pensa que talvez houvesse algo estranhamente nobre na obsessão dele. O trivial é épico, o épico trivial.
Douglas Adams às vezes é comparado ao grupo Monty Python, presumivelmente porque ele é inglês, bobo e letrado. Mas o motor que dirige Monty Python é muito diferente - uma alegria lúdica na ineficiência barroca. A visão de Douglas Adams é mais convencional - o mundo moderno é desumanizado pela tecnologia (alguém assistiu Black Mirror?); E pior ainda, a tecnologia nem funciona (aqui é Adams mesmo). Seu humor, nítido e inteligente, e sua prosa - elegante, absurdamente literal - são um prazer de ler. Mas há algo, finalmente, insatisfatório sobre seu trabalho. Seus livros são muito limitados intelectualmente para serem romances sérios. Apesar de todos os enredos ágeis, da escrita hábil e da sagacidade subjacente de seu trabalho, o Adams é um pouco banal. O que, de forma alguma, chega a descreditar o trabalho do autor - que é reverenciado no mundo inteiro.
A agência de investigações holísticas de Dirk Gently ganhou uma nova série neste ano (2016) estrelada por Samuel Barnett, Elijah Wood e Hannah Marks. Deixo vocês com o trailer da série. Abraços!




11 comentários:

  1. Oiii Felipe, tudo bem?
    Ainda não tive oportunidade de realizar a leitura desse livro, mas confesso que tenho tanta curiosidade que você nem imagina, além do mais é uma obra bem conhecido que muitos amam.
    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Oi Lipe, eu já havia achado o enredo do livro anterior brilhante, mas esse parece que superou neh. Adorei essa mistura que o autor inseriu na trama. Fiquei bem animada para ler. Bjs

    ResponderExcluir
  3. Oiii.
    Eu ainda não conhecia o livro, mas quando vi o nome do Douglas Adams já me animei. Achei a história super divertida e perfeita para horas de tédio e espera dentro do ônibus. :D

    ResponderExcluir
  4. Olá, eu não conhecia o livro, mas conheço o autor e não me agrada a escrita dele, mesmo sabendo um pouco da premissa do livro, eu passo a dica!
    Mas adorei a sua opinião sobre o mesmo, um beijo.

    ResponderExcluir
  5. Oi Lipe, apesar dos muitos elogios que já li em outras resenhas, inclusive aqui, confesso que nunca me interessei muito pelos livros do Adam. Não sei explicar bem o motivo, só não tenho me deixou com vontade de ler ainda.
    Bjs!

    ResponderExcluir
  6. gostei da tua resenha, mas não acho que seria o livro para mim nesse momento, mas a dica ta aqui, irei quem sabe ler em breve, não conhecia a obra e amei a capa

    ResponderExcluir
  7. Olá!
    Do autor só li O guia do mochileiro das galáxias e não foi uma leitura que me agradou muito.
    Mas ainda assim, quero conhecer esta história e dar um nova chance para ver se o autor me conquista com sua escrita tão elogiada.
    A premissa da história é meio maluca, bem ao estilo do autor. Espero conferir em breve.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

    ResponderExcluir
  8. Oi Felipe, tudo bem?
    Eu sou fã de ficção científica e esse autor com certeza não é nada convencional, sua obra é bem diferente do que eu estou acostumada. Ainda não tive a oportunidade de ler, mas tenho certeza de que irei me divertir e serei conquistada. Sua resenha está ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

    ResponderExcluir
  9. Olá!
    Sempre vejo esse autor sendo bem comentado e as pessoas loucas para conferir suas obras, mas confesso que não me sinto atraída pelas premissa, não sou muito fã de ficção cientifica então, acaba passando rs' Que venham mais livros para os fãs rsrs..

    Beijos!
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Olá Felipe,
    Nunca li nada desse autor em questão, apesar de conhecer o Mochileiro das Gálaxias, mas esse ano tenho me aventurado bastante em ficção cientifica e livros com mistério, então quem sabe não incluo ele na meta de 2017??

    Obrigada pela dica

    Beijokas

    ResponderExcluir
  11. Oii, tudo bem?

    Adoro Douglas Adam e adoro O Guia do Mochileiro das Galáxias. Bem, os livros dele são divertidos e esse não passa longe disso!

    Beijos,
    Gaby

    ResponderExcluir

 
© Copyright 2015. Template by LuMartinho.